Vivemos muitas vezes distraídos.
Trabalhamos, resolvemos problemas, cuidamos da casa, dos filhos, pagamos contas, enfrentamos desafios e preocupações… pouco a pouco, se não estamos atentos, passamos a viver espiritualmente no automático.
Em momentos assim, a Igreja nos convida a interromper esse ritmo e olhar com mais clareza para nossa alma.
É assim que começa a Quaresma.
A Quarta-feira de Cinzas: um chamado à realidade
Na Quarta-feira de Cinzas, que acontece sempre no primeiro dia após o Carnaval, a Igreja nos lembra de duas coisas que comumente evitamos pensar: na nossa fragilidade e necessidade de conversão. Neste dia, durante a missa, o sacerdote coloca cinzas sobre as nossas cabeças, nos levando a refletir que do pó viemos e para o pó voltaremos.
Este não é um gesto decorativo. É um lembrete da nossa realidade. A vida na terra é breve, precisamos preparar a nossa alma para a eternidade.
Por isso, esse dia é marcado por jejum e abstinência. Não como punição, mas como sinal concreto de que a conversão precisa sair do discurso e ser vivenciada na prática.
A Quaresma começa assim: com um chamado à realidade.
A Quaresma: alinhamento e purificação
Depois das cinzas, vem o trabalho interior.
Durante quarenta dias, a Igreja nos convida a reorganizar o que está desordenado. E para isso nos propõe três caminhos: oração, jejum e caridade. Não são invenções humanas. São remédios antigos para uma alma que facilmente se dispersa.
A Quaresma não é um período para “mostrar sacrifícios”, mas para tratar o que em nós está morno, defeituoso, confuso ou acomodado.
É um tempo de alinhamento e purificação.
A Sexta-feira Santa: o silêncio
Passado o período da Quaresma, chegamos ao centro, a Sexta-feira Santa. Neste dia não há Missa. A Igreja silencia, o altar fica vazio, sem flores ou enfeites. É o dia em que meditamos sobre a Paixão e Morte de Cristo.
Alí, diante de todo o sofrimento de Jesus, entendemos algo decisivo: o pecado não é leve.
A redenção custou sangue.
O jejum desse dia não é uma simples formalidade. É a forma de nos unir, ainda que de modo pequeno, ao sofrimento de Cristo, que tanto nos ama e se entregou por nós.
Da Quaresma até a Páscoa: como viver bem esse período
A Quaresma nos prepara e conduz à Páscoa, que é a celebração da Ressurreição de Cristo, quando Jesus ressuscitou vencendo a morte e abrindo para nós a esperança da vida eterna. Para viver bem esse período não precisamos fazer muitas promessas. É importante que, através da reflexão e oração, escolhamos com seriedade aquilo que realmente nos ajuda a crescer em fé, sabedoria e graça. Para isso, alguns pontos são fundamentais:
1. Uma boa confissão.
O primeiro passo para a conversão é o reconhecimento dos nossos pecados através do sacramento da Reconciliação.
Uma confissão bem preparada, com exame de consciência sincero, é o passo mais seguro para viver a Páscoa de forma verdadeira.
Para ajudar, deixo abaixo dois links de auxílio, um guia para a confissão, e como fazer um bom exame de consciência.
https://opusdei.org/pt-br/article/guia-visual-para-a-confissao
https://opusdei.org/pt-br/article/exame-de-consciencia-para-a-confissao-adultos
2. Penitência com propósito.
O jejum e os pequenos sacrifícios devem nos ajudar a vencer o egoísmo, a impaciência e a comodidade.
Não são desafios externos, mas instrumentos de ordenação interior.
3. Oração mais constante.
A Quaresma é tempo de intensificar a vida espiritual: leitura do Evangelho, silêncio, participação na liturgia, terço…
4. Caridade concreta.
Não há conversão autêntica sem mudança nas atitudes.
Perdoar, ajudar, servir, mesmo quando é difícil.
Se atravessamos a Quaresma com sinceridade, chegaremos à Páscoa renovados, conscientes e reconciliados.
Das cinzas à Cruz. E da Cruz à vida nova.
Para mais informações, no link abaixo você encontra textos, orações e meditações para melhor viver esse tempo de conversão.
*Imagem: Obra de Domínio Público – O Combate entre o Carnaval e a Quaresma. Autor – Pieter Bruegel, o Velho. Ano – 1559

